segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

VINHOS PARA O VERÃO


Escrevi o artigo “ VINHOS PARA O VERÃO ” – Com este calorão todo, batendo recordes de temperatura, os leitores do VINOTICIAS andaram solicitando dicas sobre rótulos para simplesmente aperetivar ou acompanhar pratos típicos da estação.
Apesar de o brasileiro não ter o hábito de tomar vinho em épocas de temperaturas mais elevadas, preferindo muitas vezes se refrescar com uma cerveja, a bebida de Baco é uma excelente opção para os dias mais quentes.
Para facilitar as opções, a mais famosa para refrescar qualquer paladar é o espumante, cujas bolhas e efeito agulha dão a sensação de refrescância.  Pode ser bebido na praia, à beira da piscina, de dia, ou à noite, sendo um vinho versátil, pois combina com várias situações e pratos. Em matéria de rótulos, há uma enorme quantidade à disposição, seja em termos de vinhos nacionais ou importados. Os Bruts são os mais indicados, mas como vem surgindo bons rótulos Brut Nature (ou Dosage Zero), vale a pena você experimentar.
Em seguida, vem a sugestão dos vinhos brancos frutados, sem nota de madeira ou envelhecidos. Prefira e delicie-se com Sauvignons Blancs, Chardonnays, Rieslings, com presença no mercado brasileiro de bons rótulos nacionais, ou importados, seja do Novo ou velho Mundo. Como são vinhos mais leves, não procure por complexidade de aromas ou paladar e prefira exemplares de climas frios.
Os rosés se consolidaram como boas opções, em especial aqueles mais claros, com tons salmonáceos, ou que alguns enófilos chamam de “casca de cebola”. Apesar de que ainda sejam pouco consumidos no Brasil, são muito versáteis, e vão bem com peixes e pratos de carne branca.
Uma dica para comprar um bom rótulo branco ou rosé, é adquirir os produtos mais jovens, ao contrário do que acontece na maioria das outras variedades, servindo-os a uma temperatura em torno dos 7ºC. Além disto, no caso dos rosés, observe na compra qual é a região de procedência.  Se for da Provence, no sudeste da França, pode comprar sem medo, pois se encaixam no padrão de cores pálidas, na cor salmão bem leve, com sabor delicado e mais acidez, o que os tornam ainda mais refrescantes.
Mas e se você não dispensa um tinto? 
Procure comprar tintos de regiões de clima mais frio e também rótulos com mais acidez, o que ajuda a aliviar o calor, e para a alegria dos amantes destes rótulos, há uma gama sem fim de vinhos indicados para temperaturas mais altas e refeições mais leves.
São, de maneira geral, vinhos produzidos com uvas de potencial alcoólico mais baixo e sem madeira (ou que permanecem menos tempo em contato com ela). Predominam os vinhos que prestigiam mais a fruta e o frescor do que outras características e qualidades.
Há três grandes grupos de estilos de vinhos para essas ocasiões: Vinhos no Estilo Noveau, Vinhos Jovens com Taninos Não Marcantes, que devem ser consumidos jovens, e os Vinhos de Corpo Médio.
Vinhos no Estilo Noveau - são conhecidos no mundo inteiro por serem comercializados logo após a vinificação, ou com pouco tempo de maturação. O exemplo mais famoso são os Beaujolais, produzidos a partir da uva Gamay, no sul da Borgonha. Os Beaujolais apresentam muitas variações. Há desde o Beaujolais Noveau, tradição francesa sempre lançada na terceira quinta-feira de Novembro, até os Crus de Beaujolais, como os Morgon ou Fleurie, sendo esses últimos enquadrados no grupo Vinhos Jovens com Taninos Leves. Os Beaujolais são bebidos o tempo todo nos bistrôs franceses. Ambas castas criam vinhos leves, frutados, sem dificuldades para serem bebidos, que dão excelente harmonização com carnes sem exageros de condimentos.
A Itália também tem a tradição do vinho ultra-jovem, que por lá é chamado de Vinho Novello. Entre os mais famosos desse estilo estão os deliciosos Barberas D'Asti. Esses vinhos novos estão em descrédito com os apreciadores, mas têm seu espaço, principalmente no verão. Muitos franceses mais radicais (lógico!), costumam dizer que o vinho Estilo Noveau não é vinho. Mas isso não é verdade.
Vinhos no Estilo Jovens com Taninos não Marcantes – é o maior volume de vinhos produzidos no mundo. Aqui temos muitos grupos de vinhos com diversas uvas. Entre eles os já mencionados Beaujolais (mas dessa vez sem ser Nouveau), da uva Gamay, os Anjous (base também de Gamay) e os Cabernet Francs do Loire, os Vin du Pays do Sul da França, alguns Pinot Noirs básicos da Borgonha e os Valpolicellas básicos e Bardolinos do Vêneto, na Itália.
Ainda na Itália, a disputa entre Piemonte e Toscana continua. De um lado, representando o Piemonte, os Grignolinos, Barberas e Bracchetos. Do outro, os deliciosos e especiais Chiantis da Toscana. Os destaques da Espanha são os vinhos denominados Tintos Jovens (sem carvalho), onde há boa quantidade de Tempranillos nesse estilo.
Os vinhos do Novo Mundo, vida de regra, são mais carregados em álcool, fruta e madeira, tornando-os mais difíceis de se encaixar nesse grupo. Entretanto, pode-se encontrar bons exemplares tanto no Chile, na Argentina e na Nova Zelândia que não passam por madeira e oferecem frescor e certa leveza, principalmente quando são produzidos em regiões de clima frio.
Vinhos de Médio Corpo - o que mais importa neste caso, é o processo de produção e envelhecimento. Podem entrar nesse grupo, alguns vinhos de Bordeaux e muitos da Borgonha, produzidos à base de Pinot Noir. É uma classe genérica que pode abarcar uma gama muito grande de uvas, regiões e países. Madeira não pronunciada, médio álcool e frescor são características requeridas nesse grupo.
Na semana que vem falaremos sobre as uvas com tendência de produzir vinhos mais leves. Como se lê, nada impede de você beber vinhos neste verão !  Saúde !!!

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