segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

ABC DE COMO CRIAR UMA CONFRARIA DE VINHOS



COMO CRIAR UMA CONFRARIA DE VINHOS

Quanto mais aprendemos sobre vinhos, mais temos vontade de provar novos rótulos e conhecer novas regiões. O problema é que para realizar todos estes desejos o custo começa a ficar caro. Nesta hora, a melhor coisa a fazer é reunir um grupo de amigos e montar uma confraria. A iniciativa é divertida, diminui o custo médio, além de proporcionar momentos de alegria e confraternização.

Veja os passos mais importantes para criar seu próprio grupo de degustação:

1 - O primeiro passo é reunir amigos com quem se tenha afinidade e que em comum tenham o gosto pelo vinho.

2 - Não deixe de lado a criação de um nome para a confraria, que deve expressar o espírito do grupo. O ideal é fazer uma votação e isto costuma unir mais as pessoas, por participarem de um grupo de interesse por vinho.

3 - É importante criar critérios para que não se perca o controle do grupo, por exemplo: uma agenda que contemple a freqüência de reuniões (quinzenal, mensal), os temas dos próximos 3 a 6 encontros, onde será a reunião, etc. Procure estabelecer uma data fixa para os encontros. Todas as primeiras quartas-feiras do mês, algo assim, que facilite o agendamento e continuidade do grupo. Se for esperar o melhor dia para cada participante, é capaz de a confraria nunca passar do primeiro brinde. A escolha dos temas e vinhos deve seguir um critério estabelecido pelo anfitrião ou pelo coordenador do encontro (tipo de uva, região, país, etc.).
Importante: O horário estabelecido deve ser seguido rigidamente (quem se atrasar poderá ser multado – trazendo um vinho na próxima reunião por exemplo). Uma medida prática que adotei em Confrarias que oriento é abrir um espumante na hora aprazada e depois de 15 minutos começar a apresentação do tema. Quem chegar atrasado, infelizmente perderá a chance de degustar o espumante de recepção aos membros da Confraria.

4 - Quanto a critérios, o ideal é que o grupo não seja menor que 6 e nem maior que 12 membros. Explicando: se houver poucos participantes, a reunião perde conteúdo e sobra muito vinho, além do rateio do valor gasto com os vinhos e petiscos ficar mais caro. Se houver gente demais, há o risco de dispersão e uma garrafa fica insuficiente para todos. Em degustação técnica uma garrafa serve 15 pessoas no máximo. A dose ideal varia entre 50 a 75ml. Ou seja, se me perguntar, o número ideal de membros de uma Confraria será de 10 participantes. Ou 5 casais amigos que comunguem o amor pelo vinho.

5 - Evite improviso. Se cada um levar o que quiser, não vai funcionar. Alguém pode ficar decepcionado por trazer um vinho muito simples, ou se gabar de ter oferecido o mais caro, para isso é importante ter em mente um valor médio por garrafa, ou então alguém ficar responsável por coordenar o evento. Além do mais, aproveite as facilidades da tecnologia e organize as reuniões por e-mail ou então crie contas nas redes de relacionamento como Facebook, onde os encontros podem ser registrados com imagens e textos, ou até mesmo em tempo real, com apreciações sobre os vinhos.

6 - Os confrades devem estabelecer temas prévios, encarregar alguém da compra de todos os vinhos e apresentar a nota de compra, para que o valor seja devidamente rateado entre todos. Faça as contas de tudo o que for consumido e divida e conta com todos. Assim, evita-se privilégios ou reclamações futuras.
Outra alternativa muito importante para o funcionamento correto da Confraria é fixar uma mensalidade, obrigatória, inclusive, para os faltantes (não deve haver nenhuma justificativa para a ausência a não ser morte em família !). Assim, a Confraria tem uma receita mensal (por exemplo) sempre conhecida, para investir nos vinhos e petiscos, para a realização dos encontros.

7 – Vale a pena criar uma ficha de degustação que contenha espaços para: nome do produtor, safra, tipo de uva, proporção de cada uva (se houver mais de uma, deve ter região, país e sub-região). Não se esqueça de deixar um campo para observações pessoais. Em último caso, veja um exemplo ao final deste artigo.

8 - Use taças padronizadas, o ideal é que cada confrade tenha sua própria maleta com número suficiente de taças. Outra opção prática é comprar-se um conjunto de taças que atenda a todos os participantes e que ficam sob controle do coordenador da Confraria.

9 - Documente os vinhos, sempre registre uma foto geral das garrafas, se possível crie um blog para que todos possam conferir as notas e os comentários. Além disto, fica fácil compartilhar as informações. Anote o nome, safra e produtor do vinho e registre os rótulos com fotos. Assim, você vai criando seu acervo pessoal das degustações e provas e pode repetir a garrafa que mais lhe agradar em outra oportunidade. Sem registro, pelo volume de rótulos degustados em pouco tempo você poderá esquecer dos vinhos que mais te impressionaram.

10 - Organize a degustação às cegas (escondendo o rótulo), para ajudar na avaliação, no aprendizado e para manter a imparcialidade. Para esconder a identidade da garrafa, pode-se embrulhá-la em um papel alumínio por exemplo, ou dentro de um saco pardo ou escuro. Não se esqueça de numerar a garrafa. As degustações às cegas, tem-se a vantagem do rótulo não influenciar a avaliação do vinho, ou criar pré-conceitos.

11 - Em cada encontro da confraria deve haver um responsável ou coordenador que irá fazer uma breve apresentação do tema. Esta iniciativa estimula o estudo e ajuda a fixar o conhecimento. A experiência pode ficar mais rica também se alguém se dispuser a pesquisar sobre os vinhos que vão ser degustados, as principais características, um pouco de sua história e algumas curiosidades sobre as uvas, as principais vinícolas, estes detalhes que fazem a alegria dos enófilos de carteirinha, mas que também atiçam a curiosidade de quem está chegando neste mundo. As informações permitem que os vinhos possam ser degustados com mais entendimento de suas particularidades e qualidades. O sistema de rodízio faz com que todos participem de igual maneira no desenvolvimento da Confraria e o responsável pela pesquisa pode mudar a cada encontro. Depois de todos terem pesquisado, o ciclo renova-se.

12 - Não esqueça que sempre deve haver água para todos os participantes, e algo para comer tal como azeite, pães, queijos, embutidos, ou mesmo um prato quente. O local escolhido para o encontro deve ser ausente de odores.
Se a reunião for marcada em um restaurante, é importante perguntar, no ato da reserva, se a casa cobra serviço de rolha, se tem taças de vinho adequadas, etc. Se não tiver, não se acanhe em levar suas taças, saca-rolhas, balde de gelo, o que for preciso para aproveitar ao máximo a oportunidade. Se existir serviço de vinho no restaurante, reserve uma taça de um vinho ao sommelier ou proprietário e ouça a avaliação do profissional.

Dicas adicionais:

Evite, antes da degustação, comidas fortes, canapés picantes, ovo, chocolate ou café, porque em geral deixarão traços no paladar e isto irá “mascarar” a correta identificação dos aromas e sabores dos vinhos.

Percebe-se que com o passar do tempo, o grupo pode se interessar por visitar regiões vinícolas pelo mundo. 

Em 2005, um levantamento preliminar descobriu 157 confrarias no Brasil, em diversas cidades espalhadas de norte a sul. Algumas Confrarias são mais formais, com estatutos sociais e tudo e outras são somente grupos de amigos. De qualquer forma, é importante citar que os produtores de vinhos de todo o mundo dão a maior atenção a estes grupos, que são verdadeiras células de transmissão de conhecimento e formadoras de opiniões.

De qualquer forma, a dica mais importante, é tornar este hábito de confraternizar numa Confraria ser um prazer, uma diversão daquele tipo que você espera ansiosamente pelo próximo encontro.

E claro, as opiniões individuais devem ser sempre respeitadas, evitando-se polêmicas que não ajudam a enriquecer em nada o relacionamento do grupo.

MODELO SIMPLES DE FICHA DE DEGUSTAÇÃO – Modelo VINOTICIAS




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