“ CHAMPAGNE
- Parte 2
” – Chegamos ao mês de dezembro, com início das Confraternizações
de Final de Ano e os amigos leitores do VINOTICIAS perguntam qual o melhor
espumante para as Festas, qual a diferença entre Champagne e Espumante e resolvi escrever esta artigo para
ajudar a explicar certas dúvidas.
O
champagne é um dos vinhos franceses de maior prestígio internacional, e unanimidade
entre os amantes da bebida, reinando sem rivais sobre os outros espumantes, mas
“nem todo espumante é champagne”. Crémant, Blanquette ou Mousseux é o nome dos
espumantes franceses feitos pelo método clássico, ou tradicional, nas demais
regiões vinícolas do país.
No
Velho Mundo há uma série de outros espumantes: italianos (Prosecco, Asti e
Spumante), espanhóis (Cava), portugueses (Murganheira, Raposeira), alemães
(Sekt). No Novo Mundo, são bem conhecidos os espumantes americanos e
australianos (Sparkling Wines). Todos eles poderão compartilhar muito bem com
as festividades.
E
neste aspecto, com muito orgulho, há que ressaltar a boa qualidade do espumante
brasileiro. As condições climáticas da Serra Gaúcha, nem sempre favoráveis aos
tintos, são propícias para a produção de bons espumantes e assim, o mercado
destes vinhos está sofrendo uma reviravolta. Os brasileiros, que finalmente
aprenderam a diferenciar sidra de champanhe e prosecco, estão trocando as
bebidas estrangeiras pelas nacionais. De janeiro a outubro de 2007 a venda de
espumantes importados teve queda de 26%; enquanto a venda de espumantes
nacionais teve aumento de 15%.
No
Brasil, os espumantes são feitos com as uvas Riesling Itálico, Chardonnay,
Pinot Noir, Moscato, Malvasia e Prosecco, entre outras, usnado-se tanto o
método tradicional, como o charmat, no qual a segunda fermentação é feita
dentro de cubas fechadas (autoclaves). Hoje a produção do espumante brasileiro
ultrapassou as fronteiras dos pampas, sendo conhecidos os espumantes produzidos
na Região do Vale do Rio São Francisco (Sertão Baiano e Pernambucano) e mais
recentemente os espumantes mineiros produzidos em Andradas.
Para
perceber o melhor que um espumante pode oferecer, seu serviço requer cuidado.
Sirva gelado, em torno dos 4 a 6ºC, uma vez que ganha calor ao tocar na taça.
Para espumantes mais estruturados e champagnes a temperatura poderá ser um
pouco mais alta, em torno dos 6 a 8ºC. Para obter esta temperatura, mantenha os
vinhos refrescados em balde de gelo e água. Na hora de abrir, nada de grandes
solavancos e estouros como na Fórmula 1, pois o choque da saída abrupta do gás
pode afetar os aromas e sabores do vinho. O ideal e segurar a rolha firme com
um guardanapo e girar a garrafa, deixando que o gás ajude o processo de expulsão
da rolha de forma lenta.
Sirva
em taças do tipo “flute”, que permitem uma perlage (frisas de bolhinhas) mais
persistente. Nunca sirva mais que 2/3 da taça, assim o vinho ficará sempre
fresco. O ideal é segurar o copo pelo pé ou pela base, afastando o calor da mão
do seu bojo.
As
sugestões para quem quer bons vinhos para as festividades e que poderão ser
consumidos durante o verão, ou quando seu time ganhar, ou quando seu time
perder, pois como dizia Napoleão: - Nas vitórias é merecido. Nas derrotas é meu
consolo !”
Espumantes Nacionais: Cave
do Amadeu, Dal Pizzol Brut, Miolo Brut, Salton Volpi, Espumante Miolo Rosé, Don
Giovanni Brut, Casa Geraldo Brut ou Prosecco.
Diferenciados (TOPS): Casa
Valduga 130 Anos, Chandon Excellence, Salton Evidence, Miolo Millésime, Cave
Geisse Nature, Don Giovanni Ouro (24 ou 30 meses). Importados: Espumante Íris Rose, Prosecco Terre Casonato, Prosecco
Nino Franco di Valdobbiadene DOC, Veuve Paul Bur, Cava Codorniú Rose, Cava Codorniú. Diferenciados: Vouvray Vigneau-Chevreau
Brut, Espumante Miru-Miru, Champagne Drappier, Champagne Taittinger, Champagne
Gosset Brut, Champagne Michel Gonet Rosé, Cava Anna de Codorniu. E para quem gosta de TOPS: Champagne
Gosset Brut Grand Réserve, Champagne Drappier Cart d´Or, Champagne Brut Blanc
de Noirs Grand Cru Barnaut e Champagne Michel Gonet Cuvée Speciale Prestige
Blanc des Blancs Grand Cru 1998 (considerado por Jancis Robinson um dos 3
melhores que ela degustou na safra), Bollinger, Paul Roger, e os Espumante
Ferrari.
Nesta
relação, os conceitos acabam sendo relativos (melhor/pior, caro/barato,
estruturado/leve), pois dependerão dos valores individuais de quem bebe os
vinhos, levando em conta também que, a bagagem e vivência de cada um determina
os diferentes graus de exigência nas quais ele será provado.
Como apontar o melhor vinho espumante
do mundo? Não tenha estas preocupações, o melhor vinho
do mundo é aquele que lhe dá prazer; o que nem sempre quer dizer que seja o
mais caro !
Ou
então, como nos ensina Mario Quintana;
- “Por mais raro que seja, ou mais antigo, Só um vinho é deveras excelente.
Aquele que tu bebes, docemente, Com teu mais velho e silencioso amigo”.
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