segunda-feira, 20 de outubro de 2014

UVAS BRANCAS – PARTE II


“ UVAS BRANCAS – PARTE II “ – Recentemente, ao escrever um artigo sobre Castas Italianas, isto despertou curiosidade dos leitores do Vinotícias sobre castas brancas, havendo algumas solicitações neste sentido. Assim sendo, vamos buscar descrever as principais caracterísiticas destas uvas e agora vamos para a parte II.

UMA DESCRIÇÃO MAIS COMPLETA DAS PRINCIPAIS UVAS BRANCAS:
1) CHARDONNAY – descrita no post anterior.

2) CHENIN BLANC - A Chenin Blanc, uma uva de elevada acidez e grande potencial de longevidade na sua região nativa, chamada Pineau ou Pineau de la Loire, é provavelmente a variedade de uva mais versátil do mundo, capaz de produzir alguns dos mais finos e longevos vinhos brancos doces.
Quando as condições são favoráveis, o que infelizmente não costuma ocorrer em todos os anos no Loire (Côteaux du Layon, Vouvray, etc...), a Chenin Blanc dá origem a magníficos vinhos doces, com toques de mel, além de estimulante e harmoniosa acidez. Em anos menos favoráveis, os vinhos costumam ser mais leves, menos concentrados e mais freqüentemente secos ou meio-doces, sendo sua elevada acidez mais útil para a produção de vinhos espumantes secos em Saumur, Vouvray e Mont-Louis. No restante do mundo, a Chenin Blanc produz vinhos simples, suaves, ácidos e frutados (África do Sul, onde é a variedade mais plantada) ou vinhos secos e de caráter, cada vez mais interessantes (Nova Zelândia).
Aspectos Organolépticos da Chenin Blanc: Os aromas e sabores mais freqüentes da Chenin Blanc são os de maçãs verdes, damascos, nozes, avelãs, amêndoas, mel e marzipan.


3) SAUVIGNON BLANC - De maneira natural os Sauvignon Blanc’s são os vinhos do começo, os vinhos que sempre são servidos primeiro em um jantar ou em uma degustação, seja esta descontraída, entre amigos ou um evento mais formal.
É preciso entender e lembrar sempre que no universo do vinho não se pode generalizar e dividir só em uvas, já que estas uvas dão vinhos. Então o mais importante é ter, antes de tudo, este conceito muito claro.
Então, para facilitar as coisas, classificamos em três categorias de vinhos com a uva Sauvignon Blanc. Se o seu Sauvingon Blanc não está em nenhuma destas três categorias, pode se preocupar.

1: Os jovens, frescos  e leves: Que tenha no máximo 2 anos de idade (da safra que aparece no rótulo da garrafa). Estes vinhos devem ser aromaticamente muito intensos e frescos, mas geralmente não são muito complexos, e na boca devem ter uma boa acidez e corpo leve e fresco. Normalmente as uvas deste vinho provêm das parreiras mais jovens de um vinhedo, motivo pelo qual entrega altos rendimentos de quilos de uva por hectare. Na vinificação se procura, de preferência, fermentações curtas e frias (a baixas temperaturas), assim não vai se obter muita estrutura nem muita concentração na boca (a uva não tem potencial para isso), mas sim uma significativa riqueza aromática, que é como uma espécie de “marca registrada” desta uva. Na boca tem uma acidez vibrante, sempre muito intensa. É o protótipo ideal para começar uma jantar. É um aperitivo por natureza.
Esta categoria de vinhos muitas vezes resulta uma alternativa interessante aos vinhos com borbulhas (espumantes, proseccos, etc.), já que cumprem a mesma função de abrir o apetite – para que isso aconteça, é necessário um vinho que não tenha açúcar (os conhecidos como vinhos “secos”, carentes totalmente de açúcar).
Este mesmo estilo de Sauvignon Blanc também é o vinho ideal para situações informais, dias de praia, à beira da piscina… Vinhos para situações mais descontraídas, onde o objetivo é se refrescar. Seu potencial de vida, na maioria das vezes, é extremadamente curto.

2: Os jovens, frescos e concentrados:  Estes vinhos terão também uma fragrância intensa e fresca, bem  mais complexa e diversa que a categoria anteriormente descrita. À boca está a principal diferença, porque aqui se encontra maior concentração de sabor de frutas, maior estrutura e também uma boa acidez e frescor.
Estes vinhos são elaborados normalmente com uvas de vinhedos mais velhos, mais equilibrados, oriundos de parreiras de maior idade – que entregam uma menor quantidade de cachos, mas que tem a pele mais grosa. Estes vinhos também podem ser bebidos como aperitivo, são deliciosos, aromaticamente muito frescos e ao mesmo tempo muito complexos.  Ao paladar é intenso, profundo e revela prazer.
Para este tipo de vinho é recomendado um contexto mais formal. Se um vinho deste for bebido de maneira descuidada, ou de maneira descontraída, seria só uma garrafa mal desfrutada, desperdiçada e não valorizada.

3: Os concentrados, maduros e evoluídos: É uma categoria um tanto especial, de um nível onde os vinhos da primeira categoria nunca conseguirão chegar, porque oxidam e morrem antes de alcançar esta etapa.
Os vinhos da categoria 2, sim, conseguem alcançar. Aqui é onde se encontram os Sauvignons que são concentrados e maduros, e que pelo passar dos anos já se encontram evoluídos.
A principal diferença é que são esses raros vinhos de Sauvignon Blanc’s, que foram muito bons desde o começo, concentrados, os que conseguiram melhorar com o armazenamento em garrafa e ter uma vida mais longa (no caso oposto, alguns vinhos desta uva só conseguem viver por alguns meses, porque se deterioram rapidamente).
Então, esta categoria extrema dentro da uva Sauvingon Blanc, é de onde se tem vinhos de aromas muito, mas muito complexos (com aromas e sabores terciários). As notas aromáticas que um dia foram cítricas e intensas vão ter se transformando em deliciosas notas de confeitura, compota e marmeladas de frutos cítricos. E à boca, que um dia foi fresca, vai felizmente se manter com esta característica (só que com um pouco menos de intensidade de frescor). Porém vai ganhar em textura, equilíbrio, oleosidade, ou seja, como aperitivo vai ser também um bom vinho, mas existirão muitos outros elementos e virtudes que são impossíveis de se encontrar em vinhos jovens.

4) RIESLING - Essa uva tem uma longa história. Há muitos registros sobre ela datados já do século XV. O mais antigo é de 1435, quando o inventário de um armazém de um nobre em Rüsselsheim, uma pequena cidade alemã, relatava a presença de uma tal uva chamada Rießlingen. A denominação se repete em diversos outros documentos da época, e apenas em um de 1552 surgiu o nome atual da uva: Riesling.
A Riesling no mundo - A Alemanha cultiva mais Riesling do que qualquer outro país, principalmente na região do Mosel, e é responsável por muitos dos exemplares mais surpreendentes. Essa cepa também é essencial na Alsácia, leste da França, e vem ganhando destaque na Austrália, Nova Zelândia e EUA.
Características dos vinhos da uva Riesling: Essa variedade de uva é capaz de produzir vinhos brancos de ótima qualidade, aromas finos, elegantes e intensos e de alta acidez, de sabor fresco, vivo e agudo, com níveis alcoólicos relativamente baixos. Além de abranger uma ampla gama de estilos de vinho, seco e mineral, dose sensual e extremamente frutado, espumantes e, raramente, são envelhecidos em carvalho.
Dicas de harmonização com os vinhos da Riesling: Os vinhos secos, normalmente, harmonizamos com carnes brancas como as de porco, pois, têm boa untuosidade para contrastar com a acidez do vinho. E os vinhos doces, harmonizamos facilmente com sobremesas como o tradicional Strudel de maçã, que combina perfeitamente com a doçura e boa acidez do vinho

5) MARSANNE - A Marsanne, provavelmente originária do norte do Rhône, no sul da França, é uma varietal de crescente popularidade, sendo utilizada sozinha ou em combinação com sua tradicional parceira Roussanne, em apelações como St-Joseph, St-Péray, Crozes-Hermitage e em muito menor escala, em Hermitage. A capacidade da uva de produzir, em termos quantitativos, grandes safras e as modernas técnicas de vinificação, que ajudaram a minimizar a tendência natural da Marsanne de produzir vinhos com baixa acidez, contribuíram sem sombra de dúvida para esta mudança no perfil de aceitação dos vinhos feitos com a Marsanne.
Aspectos Organolépticos da Marsanne: A Marsanne, por si só, costuma apresentar aromas e sabores bastante acentuados, geralmente herbáceos, lembrando frutas cítricas muito maduras e concentradas, às vezes com toques minerais. Quando tratada com carvalho, apresenta excelente potencial de envelhecimento. Os vinhos de Marsanne costumam ter cor profunda, corpo pleno, com aromas bastante exuberantes, podendo em alguns casos lembrar amêndoas.

6) GEWURZTRAMINER - A Gewurztraminer é uma varietal extremamente aromática, que atinge o seu grau máximo de qualidade na Alsácia, na França, onde dá origem a uma enorme gama de vinhos personalíssimos, variando do totalmente seco até vinhos doces (VT - Vendage Tardive e SNG - Sélection de Grains Nobles), sempre com elegância e fineza. Também na Alemanha, na região de Pfalz, produz vinhos de excepcional qualidade.
Também tem aparecido em praticamente todas as regiões do mundo, tais como a Austrália, Califórnia e o Chile, porém com características muito distintas e com poucas das qualidades que a tornaram famosa. A Gewurztraminer, no seu apogeu, apresenta o aroma mais peculiar entre todas as uvas brancas, o que a torna absolutamente inconfundível numa degustação às cegas.
O vinho feito com esta uva tem um perfume floral, com uma característica pungência, com um peculiar sabor e aroma de lichias, sendo geralmente bastante encorpado, com textura untuosa, elevado teor alcoólico e baixa acidez.
Aspectos Organolépticos da Gewurztraminer: Como já foi dito, os aromas e sabores mais freqüentes são os de especiarias, particularmente o gengibre e a canela, “Creme Nívea” e lichias.


7) MOSCATEL - Se um vinho tem aroma de uvas, então é quase certo que a uva do qual se originou é uma uva da família Moscatel. Os vinhos feitos com esta uva podem ser secos, como na Alsácia; leves, adocicados e frisantes, como em Asti, Moscato d’Asti e Clairette de Die; muito doce, como no Moscatel de Valência; muito doce e fortificado, como no pesado, super-doce, âmbar e castanho “Liqueur Muscats” Australiano e nos “vins doux naturels” do Rhône e do Sul da França (dos quais os mais conhecidos são os Muscat de Beaumes-de-Venise, Muscat de Rivesaltes e Muscat de rontignan).
Aspectos Organolépticos da Moscatel: Os aromas e sabores mais citados são os de uvas, laranjas, rosas (Alsácia), bergamota / tangerina (Alsácia), uvas passas (nos vinhos fortificados), cevada e açúcar mascavo (demerara).

8) VIOGNIER - A varietal Viognier é uma uva importante por ser extremamente rara. A Viognier é a responsável pelo Condrieu, um vinho branco excitante, perfumado, opulento (apesar de seco) e encorpado, proveniente de uma minúscula região do norte do Rhône, sendo cultivada em muito poucos lugares no mundo.
O problema é que a Viognier é uma varietal de cultivo complicado, sendo muito susceptível às diferentes doenças próprias dos vinhedos, além de ser de difícil vinificação. Se o clima não for extremamente favorável, possivelmente não haverá uvas para serem colhidas, e mesmo num ano considerado bom, a produção é muito baixa (daí o preço proibitivo do Condrieu).
A boa notícia é que vários produtores de outras regiões do Vale do Rhône e de Languedoc estão plantando a Viognier, com bons resultados. A uva também está sendo cultivada na Califórnia, produzindo vinhos bastante expressivos, porém com preços comparáveis aos de Condrieu.
Aspectos Organolépticos da Viognier: Os aromas e sabores mais citados são os de flores de primavera (flor-de-maio e flor do limoeiro), damascos, pêssegos, almíscar e algumas vezes, de “crème fraîche”, que é um laticínio francês constituído por um creme de leite levemente acidificado (inexistente no Brasil).
 
9) SÉMILLON - A Sémillon é a principal uva dos vinhos brancos de Bordeaux, tanto os secos (especialmente em Graves), como os doces (Sauternes). Também consegue excelentes resultados na Austrália, na região do Hunter Valley, na forma de um pouco usual vinho branco seco. Em Bordeaux é apreciada por sua suavidade, tal como lanolina, e em menor escala, somente nos vinhos secos jovens, por seus aromas e sabores herbáceos (similares aos da muito mais ácida Sauvignon Blanc, com a qual é comparável e freqüentemente misturada).
No Hunter Valley é renomada por produzir um longevo vinho branco seco, que adquire crescentes sabores de mel e torradas com o envelhecimento. É também bastante plantada no Chile e em menor escala na África do Sul.
Aspectos Organolépticos da Sémillon: Os aromas e sabores mais freqüentes são os de grama, cítricos, lanolina, mel e torradas.

Semana que vem falaremos sobre as outras castas brancas ...

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