" UVAS BRANCAS “ – Recentemente, ao escrever um artigo sobre Castas Italianas, isto despertou curiosidade dos leitores do Vinotícias sobre castas brancas, havendo algumas solicitações neste sentido. Assim sendo, vamos buscar descrever as principais caracterísiticas destas uvas.
Segundo estudiosos há
24.000 nomes para as mais de 3.000 variedades de uvas viníferas. Jancis
Robinson, uma das grandes estudiosas das castas viníferas fala em 1368
variedades com nome diferentes conforme regiões, mesmo que de um único País.
Algumas conclusões desta obra são desconcertantes mesmo para quem se julga um
entendido em vinhos e uvas. A Cabernet Franc - que, lado da Sauvignon Blanc,
gerou a famosa e ubíqua Cabernet Sauvignon - é de origem espanhola, mais
precisamente do País Basco, onde é conhecida pelo nome de Achéria.
As uvas Pinot Noir, Pinot Gris e Pinot Blanc são
geneticamente iguais, a despeito de suas cascas exibirem cores diferentes. Por
isso, os autores do livro dizem que há apenas uma uva, a Pinot, que exibe
relações de parentesco com outras 156 variedades. Cerca de 150 variedades são
plantadas comercialmente em quantidades mais significativas. Enquanto a França
é o berçário das cepas mais conhecidas, como Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e
Chardonnay, a Itália e Portugal se diferenciam pelas chamadas uvas autóctones
que praticamente só são cultivas nestes países.
A Vitis vinifera se expressa de múltiplas maneiras
reconhecidas como variedades dessa espécie. Cada uma dessas variedades é típica
de uma região produtora, existindo cepas que mantém suas características em
outras áreas enquanto outras só produzem vinhos típicos em suas áreas nativas.
Embora sejam conhecidas milhares de variedades de Vitis vinifera, algumas
dezenas têm maior expressão como produtoras de vinhos finos.
Sem dúvida, as uvas brancas mais conhecidas dos
brasileiros são a Sauvignon Blanc e Chardonnay e que são os nomes dos vinhos
feitos a partir dessas uvas. Em geral, a uva Chardonnay faz vinhos de médios
para encorpados, e muitas vezes percebe-se notas de maçã, figo, melão, pêra,
abacaxi ou pêssegos.
Vinhos Sauvignon Blanc tendem a ser mais leves que os
Chardonnays, muitas vezes mais suculentos e com mais acidez. Eles também podem
ser feitos com uma variedade de sabores, e pode ter um toque de grama
recém-cortada ou notas de ervas frescas, às vezes virando para sabores mais
picantes de groselha ou pimenta. Sabores de frutas pode variar de citros para
frutas tropicais, e alguns viticultores usam barris de carvalho o que pode dar
uma nota fumaça ou tostado.
Se um vinho Chardonnay é feito em barrica de carvalho,
pode levar sabores de especiarias, mel, manteiga de avelã. Uma variedade de
estilos são feitos a partir da Chardonnay, e os melhores são ricos e complexos
e pode envelhecer bem. E é claro que o mundo das uvas brancas não se prendem
exclusivamente a estas uvas !!!
UMA DESCRIÇÃO MAIS
COMPLETA DAS PRINCIPAIS UVAS BRANCAS:
1) CHARDONNAY - A Chardonnay é a
mais famosa de todas as uvas brancas, tendo seu nome escapado dos compêndios de
botânica para se tornar uma marca, um nome de vinho extremamente popular e
facilmente reconhecido pelos consumidores. Em sua terra natal, a Borgonha, na
França, a Chardonnay é a única responsável por todos os finíssimos vinhos
brancos daquela região. No entanto, por ser a França um país que usa nos
rótulos de seus vinhos uma notação estritamente geográfica, o nome Chardonnay
só era conhecido pelos enólogos e produtores.
No final do século XX, com a disseminação da
Chardonnay por praticamente todas as regiões vinícolas do mundo e com a
prática, hoje quase universal, de se identificar a variedade da uva nos rótulos
dos vinhos, aliada ao enorme sucesso alcançado por esta varietal, o nome
Chardonnay é reconhecido como sinônimo de vinho branco de alta qualidade.
Deve-se ressaltar no entanto que apesar de toda a fama, existem diferenças
muito significativas entre os diferentes vinhos produzidos no mundo com a
Chardonnay.
Entre os apreciadores de vinho, o sucesso da
Chardonnay deve-se principalmente ao fato de que, com raras exceções, o vinho
feito com a varietal costuma dar enorme e imediata satisfação a quem o bebe. O
vinho da Chardonnay costuma ser pleno, acessível, amanteigado, frutado e
dependendo do tipo de vinificação adotado, ter ou não o sedutor aroma de
baunilha derivado do tratamento em tonéis de carvalho, além de não ser áspero
ou conter acidez agressiva.
Mas a Chardonnay não agrada apenas os consumidores. Os
produtores a apreciam muito por ser uma uva muito fácil de cultivar - é
vigorosa, resistente, produzindo generosas colheitas na maioria dos climas e
solos. Os enólogos também a apreciam por sua extrema maleabilidade, podendo
produzir uma grande gama de estilos diferentes de vinhos, de acordo com a
técnica de vinificação adotada. Sua expressão máxima no entanto, continua a ser
na Borgonha, onde dá origem a alguns dos mais elegantes e refinados vinhos
brancos de todo o mundo (Montrachet, Mersault, etc...).
Algumas das regiões mais
tradicionais na produção de vinhos brancos de Chardonnay são:
●
Chablis, no norte da Borgonha
(França); aqui o vinho produzido é o que chamamos de “tradicional” em relação
aos Chardonnays, normalmente sem passagem em carvalho, frescos, com excelente
acidez e caráter mineral típico em decorrência do tipo de solo calcário
argiloso. Os Grand Crus e Prémiere Crus são vinhos de boa longevidade, podendo
seguir evoluindo por 10, 12 ou 15 anos de acordo com Oz Clarke em seu Livro
Grapes & Wines. Já os mais simples e ‘básicos’ são vinhos para 5 ou 6 anos
no máximo devendo ser aproveitados enquanto jovens.
●
Champagne, no norte da Borgonha
(França); é a única variedade branca permitida na composição dos tradicionais
vinhos de Champagne, junto com as tintas Pinot Noir e Pinot Meunier; sozinha, é
responsável pelos tradicionais champagnes Blanc de Blancs.
●
Mâcon e Cote Chalonnaise, no sul da
Borgonha (França); produz vinhos brancos mais simples, normalmente denominados
“Borgonha branco” para serem tomados jovens entre 2 a 4 anos.
●
Cote de Beaune, sul da Cote D’Or
(França); região tradicionalmente conhecida por “coração” dos borgonhas
brancos; dessa região vêm os famosos Meursault, Puligny-Montrachet e
Corton-Charlemagne, vinhos cremosos, algo mais encorpados que os Chablis,
complexos em aromas e sabor, e normalmente de alto custo. Vinhos que crescem
com o tempo, atingindo seu apogeu por volta dos 10 anos, mas podendo ir bem
além disso.
●
Friuli e Alto Adige, no norte da
Itália; normalmente são vinhos frescos, com boa acidez e aromáticos. Na Toscana
tem apresentado bons resultados com vinhos muito refinados, especialmente os
que usam uvas de vinhedos mais antigos que ganham complexidade.
●
Chile; os chardonnays chilenos estão
em crescente evolução e a cada dia nos apresentam agradáveis surpresas,
apresentam-se tradicionalmente algo madeirados, ricos em aromas frutados e de
boa acidez, especialmente os vindos de regiões mais frias como os vales de
Casablanca, San Antonio, Limari e Leyda.
●
Austrália; aqui a uva revela sua
expressão mais exótica, frutado e maduro, untuosos e normalmente amadeirados,
porém a demanda do mercado tem provocado mudanças de vinificação com redução de
tempo em barrica buscando mais frescor e mineralidade.
●
Califórnia, na costa oeste dos EUA;
muito conhecida por seus tradicionalmente bem amadeirados chardonnays, os
produtores têm apresentado ao mercado vinhos mais frescos e menos untuosos.
●
Argentina, os produtores ainda
buscam os melhores terroirs para a produção de uvas com esta cepa, porém já se
encontram muito bons vinhos na região, mesmo que em volume algo reduzido quando
comparado ao Chile. Gera vinhos bastante amadeirados com menos mineralidade,
mais pesados, alto teor alcoólico e de maior untuosidade.
●
Brasil, nossos produtores ainda
buscam pelo melhor terroir e nosso clima quente não ajuda. Os clones trazidos
tinham características diferentes mais direcionados à produção de espumantes em
que amadurecimendo e concentração de fruta são secundárias, valorizando-se a
acidez e o frescor. Somente agora começamos a produzir alguns varietais mais
complexos e interessantes, mas os vinhedos e as vinícolas precisam de mais
tempo para buscar melhor regularidade e constância de qualidade. Já nos
espumantes, nossa produção se beneficia e gera vinhos de muita qualidade.
Sempre é melhor iniciar-se pelos vinhos mais simples e
fáceis de tomar, incrementando e subindo degraus tanto de qualidade como de
preço para que os tombos, ocorrem até entre os mais entendidos, sejam menos
dolorosos.
É
um ótimo parceiro para um Fondue de Queijo no inverno, sendo que Álvaro Galvão
(Divino Guia), e Mariana Morgado indicam massas e queijos como algumas de suas
melhores harmonizações. Pelo fato de ser uma uva que se apresenta mais mineral,
como nos Chablis, mais amanteigados nos Australianos, mais frutado e alcoólico,
como nos Argentinos, podemos encarar uma grande variedade de pratos em sua
harmonização.
Não nos esqueçamos que esta uva
também se presta aos vinhos bi-varietais e assemblages, pois empresta seu corpo
e capacidade de envelhecimento à outras cepas, onde estas qualidades faltem. Os
espumantes estão ai e não nos deixam mentir.
Queijos de massa mole amarelos, pedem acidez, então
partimos para os que não tenham muita madeira, jovens, mas quanto mais
“maduros” forem os queijos, mais devemos partir para os vinhos mais encorpados
e amadeirados. Para os queijos de casca branca mofada, como os Camembert e Brie
os vinhos mais jovens fazem a diferença. Pastas que contenham ou no molho, ou
em sua preparação sejam acompanhadas de frutos do mar, pedem os mais jovens e
ácidos, mais minerais. Para as massas que contenham em sua preparação os
derivados lácteos, podemos lembrar dos mais encorpados, já que falamos de
carboidratos e lácteos juntos.
Os chardonnays são, também, ótimas
companhias para carnes brancas em geral. Semana
que vem falaremos sobre as outras castas brancas ...
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