domingo, 12 de outubro de 2014

CASTAS BRANCAS


" UVAS BRANCAS “ – Recentemente, ao escrever um artigo sobre Castas Italianas, isto despertou curiosidade dos leitores do Vinotícias sobre castas brancas, havendo algumas solicitações neste sentido. Assim sendo, vamos buscar descrever as principais caracterísiticas destas uvas.
 
Segundo estudiosos há 24.000 nomes para as mais de 3.000 variedades de uvas viníferas. Jancis Robinson, uma das grandes estudiosas das castas viníferas fala em 1368 variedades com nome diferentes conforme regiões, mesmo que de um único País. Algumas conclusões desta obra são desconcertantes mesmo para quem se julga um entendido em vinhos e uvas. A Cabernet Franc - que, lado da Sauvignon Blanc, gerou a famosa e ubíqua Cabernet Sauvignon - é de origem espanhola, mais precisamente do País Basco, onde é conhecida pelo nome de Achéria. 

As uvas Pinot Noir, Pinot Gris e Pinot Blanc são geneticamente iguais, a despeito de suas cascas exibirem cores diferentes. Por isso, os autores do livro dizem que há apenas uma uva, a Pinot, que exibe relações de parentesco com outras 156 variedades. Cerca de 150 variedades são plantadas comercialmente em quantidades mais significativas. Enquanto a França é o berçário das cepas mais conhecidas, como Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e Chardonnay, a Itália e Portugal se diferenciam pelas chamadas uvas autóctones que praticamente só são cultivas nestes países.
A Vitis vinifera se expressa de múltiplas maneiras reconhecidas como variedades dessa espécie. Cada uma dessas variedades é típica de uma região produtora, existindo cepas que mantém suas características em outras áreas enquanto outras só produzem vinhos típicos em suas áreas nativas. Embora sejam conhecidas milhares de variedades de Vitis vinifera, algumas dezenas têm maior expressão como produtoras de vinhos finos.
Sem dúvida, as uvas brancas mais conhecidas dos brasileiros são a Sauvignon Blanc e Chardonnay e que são os nomes dos vinhos feitos a partir dessas uvas. Em geral, a uva Chardonnay faz vinhos de médios para encorpados, e muitas vezes percebe-se notas de maçã, figo, melão, pêra, abacaxi ou pêssegos.
Vinhos Sauvignon Blanc tendem a ser mais leves que os Chardonnays, muitas vezes mais suculentos e com mais acidez. Eles também podem ser feitos com uma variedade de sabores, e pode ter um toque de grama recém-cortada ou notas de ervas frescas, às vezes virando para sabores mais picantes de groselha ou pimenta. Sabores de frutas pode variar de citros para frutas tropicais, e alguns viticultores usam barris de carvalho o que pode dar uma nota fumaça ou tostado.
Se um vinho Chardonnay é feito em barrica de carvalho, pode levar sabores de especiarias, mel, manteiga de avelã. Uma variedade de estilos são feitos a partir da Chardonnay, e os melhores são ricos e complexos e pode envelhecer bem. E é claro que o mundo das uvas brancas não se prendem exclusivamente a estas uvas !!!

UMA DESCRIÇÃO MAIS COMPLETA DAS PRINCIPAIS UVAS BRANCAS:

1) CHARDONNAY - A Chardonnay é a mais famosa de todas as uvas brancas, tendo seu nome escapado dos compêndios de botânica para se tornar uma marca, um nome de vinho extremamente popular e facilmente reconhecido pelos consumidores. Em sua terra natal, a Borgonha, na França, a Chardonnay é a única responsável por todos os finíssimos vinhos brancos daquela região. No entanto, por ser a França um país que usa nos rótulos de seus vinhos uma notação estritamente geográfica, o nome Chardonnay só era conhecido pelos enólogos e produtores.
No final do século XX, com a disseminação da Chardonnay por praticamente todas as regiões vinícolas do mundo e com a prática, hoje quase universal, de se identificar a variedade da uva nos rótulos dos vinhos, aliada ao enorme sucesso alcançado por esta varietal, o nome Chardonnay é reconhecido como sinônimo de vinho branco de alta qualidade. Deve-se ressaltar no entanto que apesar de toda a fama, existem diferenças muito significativas entre os diferentes vinhos produzidos no mundo com a Chardonnay.
Entre os apreciadores de vinho, o sucesso da Chardonnay deve-se principalmente ao fato de que, com raras exceções, o vinho feito com a varietal costuma dar enorme e imediata satisfação a quem o bebe. O vinho da Chardonnay costuma ser pleno, acessível, amanteigado, frutado e dependendo do tipo de vinificação adotado, ter ou não o sedutor aroma de baunilha derivado do tratamento em tonéis de carvalho, além de não ser áspero ou conter acidez agressiva.
Mas a Chardonnay não agrada apenas os consumidores. Os produtores a apreciam muito por ser uma uva muito fácil de cultivar - é vigorosa, resistente, produzindo generosas colheitas na maioria dos climas e solos. Os enólogos também a apreciam por sua extrema maleabilidade, podendo produzir uma grande gama de estilos diferentes de vinhos, de acordo com a técnica de vinificação adotada. Sua expressão máxima no entanto, continua a ser na Borgonha, onde dá origem a alguns dos mais elegantes e refinados vinhos brancos de todo o mundo (Montrachet, Mersault, etc...).
Algumas das regiões mais tradicionais na produção de vinhos brancos de Chardonnay são:
Chablis, no norte da Borgonha (França); aqui o vinho produzido é o que chamamos de “tradicional” em relação aos Chardonnays, normalmente sem passagem em carvalho, frescos, com excelente acidez e caráter mineral típico em decorrência do tipo de solo calcário argiloso. Os Grand Crus e Prémiere Crus são vinhos de boa longevidade, podendo seguir evoluindo por 10, 12 ou 15 anos de acordo com Oz Clarke em seu Livro Grapes & Wines. Já os mais simples e ‘básicos’ são vinhos para 5 ou 6 anos no máximo devendo ser aproveitados enquanto jovens.
Champagne, no norte da Borgonha (França); é a única variedade branca permitida na composição dos tradicionais vinhos de Champagne, junto com as tintas Pinot Noir e Pinot Meunier; sozinha, é responsável pelos tradicionais champagnes Blanc de Blancs.
Mâcon e Cote Chalonnaise, no sul da Borgonha (França); produz vinhos brancos mais simples, normalmente denominados “Borgonha branco” para serem tomados jovens entre 2 a 4 anos.
Cote de Beaune, sul da Cote D’Or (França); região tradicionalmente conhecida por “coração” dos borgonhas brancos; dessa região vêm os famosos Meursault, Puligny-Montrachet e Corton-Charlemagne, vinhos cremosos, algo mais encorpados que os Chablis, complexos em aromas e sabor, e normalmente de alto custo. Vinhos que crescem com o tempo, atingindo seu apogeu por volta dos 10 anos, mas podendo ir bem além disso.
Friuli e Alto Adige, no norte da Itália; normalmente são vinhos frescos, com boa acidez e aromáticos. Na Toscana tem apresentado bons resultados com vinhos muito refinados, especialmente os que usam uvas de vinhedos mais antigos que ganham complexidade.
Chile; os chardonnays chilenos estão em crescente evolução e a cada dia nos apresentam agradáveis surpresas, apresentam-se tradicionalmente algo madeirados, ricos em aromas frutados e de boa acidez, especialmente os vindos de regiões mais frias como os vales de Casablanca, San Antonio, Limari e Leyda.
Austrália; aqui a uva revela sua expressão mais exótica, frutado e maduro, untuosos e normalmente amadeirados, porém a demanda do mercado tem provocado mudanças de vinificação com redução de tempo em barrica buscando mais frescor e mineralidade.
Califórnia, na costa oeste dos EUA; muito conhecida por seus tradicionalmente bem amadeirados chardonnays, os produtores têm apresentado ao mercado vinhos mais frescos e menos untuosos.
Argentina, os produtores ainda buscam os melhores terroirs para a produção de uvas com esta cepa, porém já se encontram muito bons vinhos na região, mesmo que em volume algo reduzido quando comparado ao Chile. Gera vinhos bastante amadeirados com menos mineralidade, mais pesados, alto teor alcoólico e de maior untuosidade.
Brasil, nossos produtores ainda buscam pelo melhor terroir e nosso clima quente não ajuda. Os clones trazidos tinham características diferentes mais direcionados à produção de espumantes em que amadurecimendo e concentração de fruta são secundárias, valorizando-se a acidez e o frescor. Somente agora começamos a produzir alguns varietais mais complexos e interessantes, mas os vinhedos e as vinícolas precisam de mais tempo para buscar melhor regularidade e constância de qualidade. Já nos espumantes, nossa produção se beneficia e gera vinhos de muita qualidade.
Sempre é melhor iniciar-se pelos vinhos mais simples e fáceis de tomar, incrementando e subindo degraus tanto de qualidade como de preço para que os tombos, ocorrem até entre os mais entendidos, sejam menos dolorosos.

É um ótimo parceiro para um Fondue de Queijo no inverno, sendo que Álvaro Galvão (Divino Guia), e Mariana Morgado indicam massas e queijos como algumas de suas melhores harmonizações. Pelo fato de ser uma uva que se apresenta mais mineral, como nos Chablis, mais amanteigados nos Australianos, mais frutado e alcoólico, como nos Argentinos, podemos encarar uma grande variedade de pratos em sua harmonização.
            Não nos esqueçamos que esta uva também se presta aos vinhos bi-varietais e assemblages, pois empresta seu corpo e capacidade de envelhecimento à outras cepas, onde estas qualidades faltem. Os espumantes estão ai e não nos deixam mentir.
Queijos de massa mole amarelos, pedem acidez, então partimos para os que não tenham muita madeira, jovens, mas quanto mais “maduros” forem os queijos, mais devemos partir para os vinhos mais encorpados e amadeirados. Para os queijos de casca branca mofada, como os Camembert e Brie os vinhos mais jovens fazem a diferença. Pastas que contenham ou no molho, ou em sua preparação sejam acompanhadas de frutos do mar, pedem os mais jovens e ácidos, mais minerais. Para as massas que contenham em sua preparação os derivados lácteos, podemos lembrar dos mais encorpados, já que falamos de carboidratos e lácteos juntos.
            Os chardonnays são, também, ótimas companhias para carnes brancas em geral. Semana que vem falaremos sobre as outras castas brancas ...

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