“ WINE IN – O JULGAMENTO DE SÃO
PAULO ”- Nos dias 22 e 23 de agosto aconteceu
em São Paulo o WINE IN. Como um reflexo da maturidade do vinho brasileiro, o
evento promoveu uma série de palestras e debates sobre o a situação do vinho
brasileiro, bem como avaliações e sugestões sobre o seu futuro. Ao evento,
compareceram especilaistas brasileiros e estrageiros que trouxeram sua
contribuição nesta questão, apresentando suas visões e sugestões sobre o tema. Os debates por si só
já valiam a participação de qualquer amante de vinhos no evento, mas ainda
houveram degustações especiais, além do Circuito Brasileiro de Degustações na
sua edição de São Paulo.
Chamava atenção dos
participantes a realização de duas provas desafios com foco nos vinhos tintos
que povoam nossas prateleiras do mercado. No dia 22 seria feita uma seleção às
cegas de 5 vinhos brasileiros com preço inferior a R$ 50,00 que enfrentariam 5
rótulos argentinos e 5 rótulos chilenos. Os rótulos importados foram
selecionados a partir de vinhos na mesma faixa de preço, com boas pontuações
obtidas no Guia Descorchados e outras publicações e avaliações de críticos
especializados. As amostras dos vinhos brasileiros foram fornecidos pelos
produtores nacionais. No dia 23 o mesmo processo seria repetido, mas desta vez
com foco em vinhos com valor de compra superior a R$ 50,00/garrafa.
Tive a oportunidade
de participar de ambos painéis de avaliação, primeiro selecionando as 5
amostras que iriam para o segundo “round” do desafio frente aos rótulos
importados. Não havia nenhuma informação sobre os vinhos que seriam degustados,
de forma a ter-se o resultado mais isento possível.
Como bem disse o
amigo Mauro Zanus – pesquisador da Embrapa no Segmento de Uva e Vinho, “ a
qualidade é algo que não está na cor, aroma ou paladar do vinho. Qualidade é
algo que aparece na mente do consumidor, como uma sequencia de informações com
base em análise sensorial. É um tudo, e não as características técnicas que
definem esta questão. A ciência coleta as evidências experimentais, a verdade
está no campo da filosofia !”. E com este espírito e confiança no que criam, os
produtores nacionais entraram de peito aberto no processo seletivo.
No dia 22 fomos
colocados frente as amostras para selecionar 5 vinhos nacionais que iriam
concorrem com os importados com preço inferior a R$ 50,00. As quinze amostras
avaliadas foram reveladas em ordem de serviço: 1- Zorzal Malbec Argentino 2011,
2- Dal Pizzol Do Lugar Cabernet Franc, 3- Humberto Canale Merlot, 4- Sata Rita
Carmenere 2009, 5- Leyda Syrah 2011, 6- Pizzato Merlot Reserva 2010, 7- Casa
Perini Tannat 2011, 8- De Martino Reserve 347 Carmenere 2011, 9- Doña Paula Malbec
2011, 10- Don Pascoal Dedicado 2011, 11- Morandé Pionero Cabernet Sauvignon
2011, 12- Las Moras Malbec 2011, 13- La Linda Bonarda 2011, 14- Ramirana
Ventisquero Carmenere 2011 e 15- Salton Intenso Merlot 2009.
Os resultados foram
auspiciosos, mas não tivemos o ranking específico que será publicado pela
organização do evento. Soubemos que em termos de média, os vinhos argentinos
ficaram pouco superiores aos nacionais e os brasileiros ficaram 0,25 pontos
acima dos chilenos, numa disputa apertada.
No dia 23 repetimos o
mesmo processo para os vinhos com preços superiores a R$ 50,00. As quinze
amostras avaliadas foram reveladas em ordem de serviço: 1- Don Abel Rota 324
Cabernet sauvignon 2005, 2- Morande Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2009, 3-
Reserva Alma única Syrah 2011, 4- Clos de los Siete 2009, 5- Pulenta Cabernet
Sauvignon 2010, 6- Viña Alicia Paso de Piedra Cabernet Sauvignon 2009, 7-
Achaval Ferrer Malbec 2011, 8- Pizzato DNA Merlot 2008, 9- Lote 43 2011, 10-
Max Reserva Carmenere Errazuriz 2010, 11- Decero Remolinos Cabernet Sauvignon
Agrelo 2010, 12- RAR Cabernet sauvignon/Merlot 2008, 13- Montes Twins
Malbec/Cabernet Sauvignon 2011, 14- Kaiken Malbec/Bonarda; Petit Verdot 2011 e
15- Ramirana Gran Reserva Syrah/Carmenere 2010.
O ganhador deste
desafio foi o Lote 43, com média de
88,5pntos, seguido pelo Pizzato DNA
com 88,3. Em terceiro lugar veio o Max
Reserva Carmenere Errazuriz com 88 pontos, seguido do Kaiken com 87,7pontos, junto com o Pulenta Cabernet Sauvignon e Clos
de Los Siete.
O resultado mostra
que podemos nos orgulhar da qualidade de alguns rótulos nacionais e assim
sendo, sugiro que na próxima vez que te oferecerem uma taça de vinho
brasileiro, diga com toda alegria: -“Claro que sim, tenho orgulho dele ser
brasileiro !”
Concordo com o trecho acima, mencionado em uma das palestras do WineIn: "Costumo dizer que o mercado do vinho nacional sofre da baixa estima que sentimos pelas nossas coisas. Talvez seja falta de civismo, de formação da personalidade do brasileiro que tende a valorizar tudo que seja estrangeiro e diminuir tudo que seja aqui produzido ou criado"... Foi mencionado que você encontra um vinho brasileiro em um restaurante em Manhattan, mas não nos Jardins. De qualquer forma, achamos positivo o WineIn que reuniu em SP produtores e especialistas do mundo do vinho do Brasil e do Exterior, tratando do assunto com seriedade, em seus mais diversos aspectos, como legislação, comércio exterior, marketing e outros aspectos. Para nós da Millennium Traduções foi uma grande satisfação participar com a tradução simultânea deste evento que com certeza contribuiu para o setor vinícola do Brasil, principalmente com especialistas internacionais de tanto renome falando sobre a elevação da qualidade do vinho brasileiro, conforme comprovado pelo resultado da degustação realizada que teve dois vinhos brasileiros nos dois primeiros lugares.
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