segunda-feira, 19 de agosto de 2013

DECANTER WINE SHOW NEW WORLD 2013

“ DECANTER WINE SHOW NEW WORLD 2013 ”- No dia 22 de agosto acontecerá em Belo Horizonte a 5ª edição da Decanter Wine Show, uma das maiores feiras de degustação e mostras de vinhos do Brasil, a ser realizada, das 16h às 22h, no Imperador Recepções e Eventos (Av. do Contorno, nº 8657, B. Gutierrez-BH). Esta edição será especialmente voltada para vinhos do Novo Mundo. Cerca de 200 rótulos, de 26 produtores, com origem em 8 países, estarão à disposição para o público de mais 600 pessoas.
Infelizmente, por motivos profissionais, estarei em São Paulo, participando de um outro evento. Achei oportuno fazer algumas sugestões do que você poderá degustar ao longo dos stands dos produtores que estarão presentes. Será, certamente, um evento “IMPERDÍVEL” e classifico minha ausência como uma destas coisas que se tem que aceitar e pronto !!!
Esta edição do Decanter Wine Show mostrará o fantástico mundo dos vinhos do Novo Mundo, vinhos que geralmente apresentam mais intensidade de notas frutadas, mais diretos no nariz e paladar, o que facilita o relacionamento com os enófilos. Não quer dizer que sejam vinhos fáceis, ou óbvios, porque a tendência internacional caminha pela diversidade e a surpresa de encontrar-se uvas clássicas como “novidades” em regiões nunca sonhadas.
Estarão presentes os seguintes produtores: os brasileiros Quinta da Neve, com seu reconhecido Pinot Noir e a Vinícola Hermann que além dos espumantes, tem a ser provado o seu tinto Touriga  Nacional. Aliás, esta será uma excelente oportunidade de provar que os brasileiros vão muito mais além do que os excelentes espumantes nacionais.
● Da Argentina - a emblemática malbec continua sendo uma aposta de sucesso, mas certamente não deixe de provar os Bonarda e Sangiovese. A Bonarda já vinha mostrando bom potencial em vários produtores e a grande surpresa é sem dúvida a Sangiovese que encontrou excelente terroir nas terras argentinas.

● Bodega Luigi Bosca - já nossa grande conhecida, um só lema defendeu a família Arizu desde 1890, hoje na quarta geração: "um grande vinho só pode ter origem em um terroir excepcional, e ele deve expressar da forma mais pura todas as virtudes naturais encapsuladas nas uvas". Talvez por isso a vinícola nunca tenha se sucumbido aos internacionalismos fáceis que nivelam os estilos de vários produtores famosos do Novo Mundo. O enorme sucesso dos vinhos de Luigi Bosca se deve não simplesmente ao seu estilo nobre, elegante, complexo, mas à sua autenticidade regional. Prove o “De Sangre” além do Malbec DOC.
● Bodega Riglos, que está instalada no Distrito de Gualltallarí, Tupungato, Vale de Uco, a 1.200 metros de altitude em Mendoza, Argentina, sendo uma das mais destacadas atualmente, com consultoria de Paul Hobbs. A Bodega Riglos inicialmente vendia suas uvas para as bodegas Doña Paula, Catena e Benegas, e resolveu fazer seus próprios vinhos. Sua produção anual é da ordem de 40.000 garrafas. Os principais mercados são Brasil, EUA e a própria Argentina. Canadá, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Uruguai e Colômbia também são mercados importantes. Prove seu Riglos Sauvignon Blanc, o  Riglos Gran Malbec e o   Riglos Gran Cabernet Sauvignon um vinho de grande harmonia, elegante, que tem na tipicidade da casta e na robustez do conjunto suas maiores virtudes. Não perca o Riglos Gran Corte com taninos finos, concentrado, boa acidez, persistente e intenso. Um vinho de grande potencial de arredondamento na garrafa nos próximos anos, com a integração madeira x vinho e o Quinto Malbec, um vinhaço da Riglos com excelente relação qualidade x preço.

● Viña Alicia – não perca a oportunidade de provar os vinhos das castas Petit Verdot (Cuarzo), Nebiollo (Alicia), Brote Negro, o Morena que é um blend de cabernet sauvignon e cabernet franc. Nos brancos, o Tiara, que é um blend de riesling, albarino e savagnin será digno de sua taça.
● Las Moras -  Os vinhedos de Finca Las Moras, estão localizados no Vale do Tulum, no sopé da Cordilheira dos Andes, na província de San Juan, plantados a 630 metros de altura em  condições ideais para o crescimento natural das vinhas. Esta região oferece uma grande variedade de cepas de alta concentração e de alta qualidade, que se adaptaram com sucesso, como o único e surpreendente clima de deserto, com alta amplitude e baixos extremos de precipitação. O seu Mora Negra é um vinho exótico, celebrado pela crítica, além da linha Reserva com vinhos equilibrados, com taninos finco e bem integrados a madeira, com amadurecimento em carvalho francês e americano por 12 meses.

● Amalaya -  Onde outros viram um deserto, a equipe da bodega viu a oportunidade de criar  grandes vinhos, e assim nasceu o Amalaya, uma expressão vinícola de Cafayate, num projeto de Donald Hess na Argentina, que se uniu à Bodega Colomé e demonstra o compromisso de fazer grandes vinhos na regiião dos Vales Calchaquíes, no Noroeste de Salta. Um de seus melhores rótulos é o Amalaya Gran Corte 2010, criado com um corte de Malbec 85% - Cabernet Franc 7,5% - Bonarda 7,5 %.

● Colomé – não preciso falar, leia o artigo de Jorge Lucki sobre Malbecs da Colomé nesta edição do Vinotícias.

● Família Schroeder - Durante as escavações para a construção da bodega da Familia Schroeder, da Patagônia, foram encontrados ossos de um Titanossauro, um dos maiores dinossauros conhecidos e que viveu naquela região há muitos milhões de anos. Tal achado inspirou a vinícola a batizar uma linha de seus vinhos de Saurus e estampar a figura estilizada do animal em seus belos rótulos. É um nome de grande apelo! E os visitantes que chegam à moderníssima bodega podem visitar esse achado arqueológico exposto em uma adega especialmente construída para exibir as relíquias. A vinícola foi concebida tendo em vista o turismo enológico. As instalações são muito bonitas, bem cuidadas e muito agradáveis, onde pequenos detalhes foram pensados para dar ao visitante uma imagem memorável. Não deixe de provar seus vinhos: Saurus Pinot Noir (a casta se dá muito bem na Patagônia); Saurus Malbec; Saurus Select Cabernet Sauvignon; Saurus Pinot Noit Tardio - Um vinho de sobremesa curioso feito da uva pinot noir colhida super madura. Seus aromas são tímidos, mas a surpresa fica para o paladar. Fruta vermelha em compota, acidez excelente e doçura na medida para harmonizar com sobremesas mais generosas. Há ainda uma dica, prove o Sauignon Blanc – muita gente acreditará que se trata de um Chardonnay !

● Benegas - são vinhos modernos, sem ser padronizados ! A Benegas é uma bodega pequena e artesanal cujo enólogo é Federico Benegas, também proprietário. A Benegas se situa  em Cruz de Piedra a sudoeste de Maipu sobre o Rio Mendoza e é um terroir de solos aluvionais, microclima especial e de grande amplitude. E está a 1.200 m de altura. A cepage é pré filoxera e todas as videiras são pés francos (sem os enxertos para evitar a praga da filoxera). Seus vinhos Premium são o Benegas Finca Libertad e o Benegas Lynch Cabernet Franc. Na Bodega Benegas os vinhos são muito amigáveis com taninos maduros e redondos, porque Federico Benegas, sabiamente, prefere menos corpo e mais elegância. Prove Benegas Sangiovese um tinto gastronômico, moderno e saboroso; o Finca Libertad é um corte bordalês muito elegante, com 33% de cabernet franc, 33% de merlot e 34% de cabernet sauvignon. Vinhedos de Cabernet Franc são pré filoxera. O Lynch Cabernet Franc tem o nítido DNA de Michel Rolland, consultor de Benegas. Por último, não perca o Lynch Meritage, um típico Medoc, blend de cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot, petit verdot, com muita fruta e muito corpo e estrutura. Boa acidez e belo equilíbrio. A vinícola tem um branco, o Benegas Chardonnay Sauvignon Blanc, com nota mineral, citrico, de bom volume de boca.

● Do Chile: O Chile tem excelentes condições climáticas para produzir bons vinhos, apresentando verões quentes, brisas costeiras refrescantes (o Pacífico tem águas com temperatura fria) e chuvas moderadas. Há uma incessante busca para a descoberta de novas regiões produtoras para experiências com novas castas, processos diferentes e inovadores de vinificação, apesar de já produzirem grandes vinhos de qualidade incontestável. Apesar de que o melhor vinho chileno seja geralmente produzido com Cabernet Sauvignon, vinificado no melhor estilo bordalês, não se pode esquecer que a Pinot Noir e Syrah evoluíram muito bem e a Carmenère é o emblema nacional. Os brancos de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viognier e Riesling melhoram a cada dia.
Estarão presentes os seguintes produtores chilenos:
● Caliterra -   A Caliterra está localizada no coração do Valle de Colchagua, com vinhedos que produzem uvas capazes de gerar vinhos com muita cor, corpo e elevada concentração de taninos. O nome Caliterra vem da união das palavras calidad e tierra. Qualidade como objetivo e paixão pelo terroir chileno como base fazem desta vinícola uma eterna batalhadora na criação de vinhos de qualidade de acordo com as tradições chilenas e com práticas que respeitem e valorizem o território, de forma sustentável e respeitando o meio ambiente.  A vinícola foi fundada em 1996, em parceria com Robert Mondavi e para isto foi adquirido todo um vale com mais de mil hectares sendo que 75% da terra permanece em sua forma natural servindo de suporte para a vinícola e suas práticas ecológicas. A empresa iniciou a plantação de vinhedos em 1997, com cerca de 210 hectares e hoje conta com 288 hectares plantados com castas tintas. Para os vinhos brancos a Caliterra possui vinhedos nos vales de Curicó, Leyda e Casablanca. De forma geral todos os vinhos têm excelente volume de boca e maciez, que seduzem em todos os seus estilos. A empresa utiliza tecnologia de ponta para desenvolver uma uva de qualidade, manejando cada parte do vinhedo, melhorando assim a qualidade dos frutos. Os vinhos da empresa mesclam uma exuberante intensidade de fruta com notas condimentadas e macias trazidas pelo uso inteligente de barricas de carvalho. Prove os seus rótulos Tributo Edicion Limitada e Tributo Single Vineyard e por último o Cenit.

● Martino – quebrando alguns preconceitos e procedimentos padrões das grandes vinícolas e ainda os postulados de alguns críticos americanos que bem avaliam vinhos com excesso de madeira, frutas colhidas supermaduras (criando verdadeiras geléias de frutas supermaduras, interessantes e encantadoras ao primeiro gole e enjoativas no fim de boca) e fazendo vinhos em ânforas e pisados em lagares como na Antiguidade, a De Martino vai mostrando a que veio. Segundo Marcelo Ratamal, seu enólogo, as ânforas fazem vinhos melhores do que o aço inox e seus vinhedos estão em pé franco para manter a identidade da uva, possível apenas no Chile que não foi atingido pela filoxera. Prove o De Martino Chardonnay Single Vineyard Quebrada Seca, exemplo de um branco sedutor e mineral do início ao fim da taça. De Martino Syrah Reserva Legado é um excelente vinho, bem como o De Martino Cabernet Sauvignon Single Vineyard Las Aguilas, e o De Martino Old Bush Single Vineyard Las Cruces, que surpreendentemente é um malbec com 35% de carmenere, um vinho de grande personalidade, encorpado, elegante, equilibrado.

● Santa Inês – A Santa Inés foi fundada em 1934 por imigrantes italianos e  estabelecida em Isla del Maipo, com 300 hectares de vinhedos em um só bloco, a apenas 50 km do litoral, recebendo a influência moderadora das frescas brisas do Oceano Pacífico. Os vinhos Santa Inés são elaborados pela vinícola De Martino, uma das mais premiadas do Chile. Os belos vinhedos que dão origem a estes brancos e tintos harmônicos, com fruta sedutora e madura, estão localizados na zona de Maipo Bajo, e são de cultivo 100% orgânicos. A família De Martino, hoje já na terceira geração, conduz com maestria a empresa, e a louvável equipe enológica conta com os perfeccionistas Marcelo, o jovem Felipe Müller e a consultora Adriana Cerda. Sob a marca Santa Inés oferece vinhos de alta qualidade e preços competitivos, com grande expressão e pureza, nas linhas Varietal e Reserva. A De Martino por sua vez apresenta três linhas de vinhos suntuosos e complexos, a começar com a linha Reserva Legado. A sensacional linha Single Vineyard, fruto de 10 anos de pesquisas exaustivas sobre os vários terroirs chilenos, é concebida em diferentes vales do país, o melhor para cada variedade de uva. O vinho premium Gran Familia representa todo o conhecimento e comprometimento da família De Martino com a máxima qualidade, e foi laureado por dois anos consecutivos como o melhor vinho da categoria premium do Chile no “Guia de Vinos de Chile”.

● El Principal - A adega chilena está na ponta no universo dos vinhos Cabernet do país, e nasceu com uma forte influência bordalêsa. Um dos seus fundadores foi Jean-Paul Valette,  durante muito tempo  proprietário do Châteu Pavie,  um dos grandes crus de Saint-Emilion, que após vender a sua propriedade em Bordeaux, decidiu fincar o pé no Novo Mundo. A vinícola está situada em Pirque, ao sul de Santiago, no chamado Alto Maipo, uma região de altitude, ao pé dos Andes. Patrick Valette, filho de Jean-Paul, foi o enólogo responsável pelas três primeiras safras. A empresa pertence agora a um investidor alemão com negócios na área de transportes marítimos, e reiniciou a produção em 2006. Mesmo com esta mudança no comando, o vinho continua expressando seu estilo baseado em Bordeaux, sendo vinificado pelo enólogo Patrick Leon. Formado na Universidade de Bordeaux, Leon, fez alguns dos seus primeiros vinhos na Califórnia, comprando uvas e vinificando em instalações alugadas. Em 1984 passou a integrar o time da Opus One, um dos ícones norte-americanos. Após se aposentar em 2005, Patrick León, decidiu se dedicar a consultoria, e hoje assessora, entre outras, vinícolas da Califórnia (Spring Mountain), da sua terra natal (Cave de Rasteau, no Rhône), Espanha (CVNE), Itália (Castello di Meleto) e até a Ella Valle, em Israel. No Chile, assiste a Gonzalo Guzmán, enólogo residente de El Principal. Prove os vinhos: Calicanto; Memórias e o Top El Principal.

● Villard Fine Wines – Thierry Villard é um pequeno produtor por opção, mantendo-se como uma boutique, especialista em vinhos brancos e na caprichosa casta Pinot Noir, oriundos do fresco Valle de Casablanca. Seu Sauvignon Blanc Reserva Expresión foi o único penta-estrelado no "Guia de Vinhos Chilenos 2003/ 2004" e faz um estrondoso sucesso no mercado brasileiro. Os chardonnays, que fogem do estigma de "gordos, cheios de carvalho e sem frescor", são uma lição de pureza, integridade e equilíbrio. Os Pinot Noirs, muito requintados e sem exageros de fruta em compota, são concebidos com baixos rendimentos no vinhedo. No clássico Valle del Maipo, Thierry Villard elabora um corte bordalês excepcional, o Equis, que é concentrado como deve ser um "premium" chileno, que impressiona a todos os críticos (como Patricio Tapia do "Guia Descorchados") pela incomparável elegância. Os vinhos Villard são divididos em três níveis: Expresión (vinhos complexos que enfatizam o terroir e a variedade de uva), Esencia (vinhos que evoluem com a guarda em garrafa, e refletem o estilo pessoal de Thierry Villard) e o "premium" Equis, elaborado no Valle del Maipo.
Da Viñedos Terranoble -  A vinícola Terranoble, inaugurada por quatro empresários chilenos em 1993, possui modernas instalações e 90 hectares de vinhedos meticulosamente cuidados no Valle do Maule, que gera vinhos concentrados, porém mais firmes e frescos do que nas zonas do norte do Chile. Tem como vinho ícone, seu poderoso e assertivo Gran Reserva Carménère, considerado o melhor do país na safra de 1999 no Descorchados 2001 e na safra de 2001 pelo Guia de Vinos de Chile 2004.Com a entrada de um novo sócio em 2006, o respeitado empresário Wolf Von Appen, a Terranoble está focalizada em fortalecer a sua base agrícola através da aquisição de vinhedos nas melhores regiões do país, como em Colchagua (Los Lingues) e Casablanca. Produz vinhos para todos os gostos, como o simples e fresco Terranoble Sushi que vai muito bem em harmonização com coinha japonesa, e seu Gran Reserva Carmenere realmente”enche a taça”.

● Do UruguaiA vinicultura do Uruguai vai muito além da Tannat. O país tem tido uma boa evolução dos vinhos da casta merlot e lembro sempre que o crítico Oz Clarke diz que o Uruguai é a expressão de Bordeaux na América do Sul. A argentina Torrontès tem aparecido em brancos de bom frescor e a Tempranillo vai te surpreender.
● Bodegas Bouza - A Bodega Bouza é um empreendimento familiar, um conceito de trabalho que respeita o meio-ambiente e se baseia na pequena escala, na qual cada parcela de vinhedo é cultivada e vinificada separadamente, logrando assim a máxima expressão do "terroir". Os vinhedos estão situados junto a nascente do ribeirão Melilla, em Montevidéu, com área de 23 hectares de vinhedos divididos em duas zonas, na tradicional Las Violetas e em Melilla, vizinha ao rio Santa Lucía. Destes, 10 hectares são de videiras entre 20 e 40 anos de idade de Tannat, Merlot e Chardonnay, e 13 hectares de novas plantações de Tannat, Merlot, Tempranillo e Albariño. O manejo dos vinhedos busca uma importante exposição solar e rendimentos muito baixos, entre 20 e 40 hectolitros de vinho por hectare. O vinhedo A6 em Melilla tem aos pés das videiras uma faixa de cascalho cor de rosa que reflete o grau de luz ideal para um perfeito amadurecimento das uvas. A vinícola foi construída sobre uma antiga "bodega" de 1942, mantendo seus conceitos originais durante a restauração. A tecnologia disponível é extremamente avançada, empregada dentro de um conceito de respeito à fruta, de mínima intervenção em todos os processos de vinificação. Os vinhos da Bodega Bouza se caracterizam pelas suas cores vivas e intensas, pela pureza e vibração da fruta no olfato e elegância no uso do carvalho, e, finalmente, pela boca concentrada, com taninos sempre polidos e acidez natural invariavelmente deliciosa. Na minha opinião, produz um dos melhores Albariños do mundo e seus Tannat´s estão num patamar raro de se alcançar ! Não deixe de prová-los.

● Dos Estados Unidos: cerca de 90% dos vinhos americanos são feitos na Califórnia e uma grande representante de Napa Valley estará presente nesta edição do Decanter Wine Show.
● Hess Collection - A primeira vinícola de Donald Hess, célebre colecionador de arte moderna e vinicultor "naturalista" em 4 continentes (Colomé, Glen Carlou e Peter Lehmann). Os vinhedos inaugurais foram adquiridos em 1978 na zona colinar de Mount Veeder, a mais alta do Napa Valley, com uma estação de amadurecimento mais fria e grande diversidade geológica nos solos. Em 1989 foi aberta a vinícola histórica de 1903 ao público, completamente reestruturada, ostentando uma das maiores coleções de arte do mundo. Possuem 125ha de vinhas em Mount Veeder, 71ha no famoso vinhedo Su'skol em frente à baía de San Francisco, 85ha no excelente vinhedo Allomi e mais 142ha em Monterey. Todos vinhedos recebem tratamento sustentável: a Hess Collection figura entre os primeiros membros do Napa Green e do California Sustainable Winegrowing Alliance, e 243ha dos 368ha totais são mantidos como área selvagem. Não deixe de provar os rótulos: Cabernet Sauvignon Mount Veeder 19 Block Cuvée e o Sequana Santa Lucia Highlands Pinot Noir.

● Da Nova Zelândia: Se inicialmente a Nova Zelândia era conhecido como o país dos grandes Sauvignons Blancs do Novo Mundo, a referência hoje vai muito mais além, com grandes vinhos em Chardonnay, em Pinot Noir, Shiraz (e muitas vezes no estilo Syrah), Cabernet e Merlots no melhor estilo bordalês (alguns vinhos são excelentes cortes de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e até a Malbec!!!). Não perca a chance de provar os seus Colheitas Tardias.
● Craggy Range – Criada em 1997 a Craggy Range nasceu a partir do sonho de dois homens, Terry Peabody e Steve Smith, apaixonados por vinhos e pelo espetacular potencial do terroir neozelandês. Desde o início a proposta foi conceber vinhos que pudessem refletir de forma fidedigna as características de vinhedos específicos espalhados pelas ilhas norte e sul. Prove o Te Muna Road Pinot Noir e o Syrah Block 14 Gimblett Gravels.

● Wild Rock - Wild Rock é um projeto da melhor vinícola da Nova Zelândia no momento, Craggy Range, que visa capturar o espírito de liberdade, um tanto selvagem e vivaz, deste país de natureza dramática e única. Conta com um dos mais respeitados viticultores do mundo, o Master of Wine Steve Smith, e um time de enólogos de primeira, todos imbuídos de um sonho de surpreender com vinhos sem a disciplina do Velho Mundo, mas carregados de caráter pulsante e frutado vibrante, com excelente relação preço/prazer. São três rótulos e recomendo prová-los: The Infamous Goose Sauvignon, Cupids Arrow Pinot Noir, e o Gravel Pit Red.

● Da Austrália: O mundo do vinho australiano vai muito além dos Shirazes e Cabernet´s, com surpreendentes brancos da Semillon. Não deixe de prová-los.
● Peter Lehmann – O veterano Peter e seu filho Doug, fiéis como poucos aos sabores do Vale de Barossa, ajustaram em 2003 a venda da vinícola ao grupo Hess, mas permanecem no comando ao lado da equipe vencedora do exitoso grupo suíço. Assim como nas vinícolas irmãs dos outros continentes (Colomé, Hess Collection e Glen Carlou), na icônica Peter Lehmann a arte moderna, os vinhos precisos e verdadeiros, e a viticultura sustentável caminham lado a lado. Os preços são um bom reflexo da excelente relação qualidade x preços dos vinhos. Prove o excelente Art Series Cabernet Sauvignon, e o Botrytis Semillon (no melhor estilo de Sauternes)

● Killikannon – Kilikanoon é o produtor australiano preferido de Robert Parker no momento. Numa última avaliação de vinhos australianos na Wine Advocate, posicionou 7 de seus vinhos acima de 96 pontos, e a média dos 19 vinhos tintos avaliados foi de 94 pontos, a melhor performance entre todas as 28 vinícolas australianas avaliadas. O mais influente crítico australiano, James Halliday, em seu Guia Wine Companion, também confere as máximas 5 estrelas à Kilikanoon e dá notas acima de 90 a 14 vinhos degustados, colocando-a como uma das três melhores vinícolas de toda a Austrália. Os dias quentes e as noites frias, somadas às diferenças consideráveis no padrão dos solos, nas elevações e aspectos, permitem que o Clare Valley produza os mais conceituados Rieslings da Austrália, ao lado de excepcionais Shiraz, Grenache e Cabernet Sauvignon, num contraste chocante de estilos. Imperdíveis seus Oracle Shiraz e o Green´s Vineyard Shiraz.

● Fox Creek -  Tudo tem início no momento em que um grupo de médicos decide pôr em prática a sua paixão pelo vinho em uma das mais promissoras regiões vinícolas da Austrália, o vale de McLaren ao sul de Adelaide. Quando Jim e Helen Watts compraram o vinhedo Fox Creek de 32 hectares em 1984, a despeito das recomendações de não plantarem vinhas nestes terrenos de argila pesada, não esperavam o sucesso que estava por vir em poucos anos de trabalho. A extraordinária qualidade da fruta dos seus vinhedos garantiu já na primeira safra o Trophy de melhor vinho no McLaren Vale Wine Show, para seu Shiraz 1995. O sucesso continuou nos anos seguintes para os vinhos da Fox Creek, e em 2006 o Shiraz Reserve 2004 chegou a ser eleito o melhor vinho do ano de toda a região de South Australia, entre mais de 800 vinhos avaliados, no Hyatt South Australia Award. A sintonia fina de todas as características é a marca dos vinhos da Fox Creek, um primor da expressão da fruta excepcional de McLaren Vale levemente temperada por finos aportes de madeira. Imperdível Shiraz Reserve.
● Da África do Sul:
● Raka – A família Dreyer comprou a propriedade em Remhoogte, ao sudeste de Hermanus, em 1982. Piet Dreyer praticava a pesca comercial na época e a sua esposa e filhos tocavam a fazenda na sua ausência, e em 1999 plantaram 10 hectares de Cabernet Sauvignon, Merlot e Shiraz. A cada ano alguns hectares eram adicionados, e os 68 hectares atuais incluem parcelas de Pinotage, Sangiovese, Viognier, Mourvèdre, Petit Verdot, além de vinhedos maiores de Cabernet Franc, Malbec e Sauvignon Blanc, tornando a propriedade auto-suficiente para a composição dos diferentes cortes dos seus vinhos. A proximidade do mar da fazenda dos Raka assegura o efeito refrescante das brisas da baia de Walker ao entardecer, enquanto que o vento sudeste que sopra da região das Agulhas no Oceano Índico ameniza o calor estival. O nome Raka foi dado em referência ao poema em africânder de N.P. Wyk Louw, sobre uma tribo africana ameaçada por Raka, metade homem metade besta, preto como a noite. Ele tomou este nome como sua marca quando resolveu mergulhar com a mesma paixão na vitivinicultura, e por isso a escolha do slogan: "nascido do mar, guiado pelas estrelas, abençoado pela terra". A experiente enóloga Danelle van Rensburg, que trabalhou na Austrália, Suíça e em diversas regiões da França é a consultora do jovem enólogo Josef Dreyer, filho de Piet formado na escola de Elsenburg - Stellebosch. Josef acompanha intensamente a empresa desde quando era estudante, do planejamento da vinícola ao plantio dos vinhedos, e nas cinco primeiras safras esteve sempre ao lado do "staff" enológico.
A propriedade está localizada em um vale estreito nas montanhas Kleinrivier, a mais meridional cadeia montanhosa africana. Os vinhedos se desdobram dos dois lados do rio Klein, que sulca as montanhas no seu caminho para a baia Walker no Oceano Atlântico. Desta conformação têm-se vinhedos expostos tanto ao norte quanto ao sul, e outros também a oeste. A altitude varia de 58m para os vinhedos ao lado do rio até 120m para os vinhedos colina acima. Os solos são igualmente diversos, com as colinas mais altas apresentando arenito em decomposição e arenitos denominados Cartrefs. Neste tipo de solo a Sauvignon Blanc e a Shiraz dão excelentes resultados. A proximidade dos vinhedos do mar assegura que as frescas brisas marinhas vindas da baia de Walker a oeste ajam resfriando o mesoclima e prolongando o amadurecimento das uvas. Esta conjetura faz com que a região seja 2 graus Celsius mais fria em média anual do que Stellenbosch, predispondo-a para um estilo de vinhos entre o Novo e o Velho Mundo. Por fim, a proteção das montanhas ao sul bloqueia as chuvas vindas do sudeste que costumam assolar Overberg no verão. Entre os brancos, o Shannonea é um vinho exótico, delicadamente mineral, cheio de facetas. O Sauvignon Blanc é um dos seus vinhos mais premiados, enqaunto o tinto Spliced é uma bela introdução ao estilo passional dos Dreyer, numa alusão para combinar, entrelaçar, misturar uvas diferentes.
O Pinotage é a uva emblemática da África do Sul, mas muitas vezes peca pela rusticidade dos taninos, excesso de álcool e acetatos encobrindo a fruta no aroma. Não deixe de provar o excelente “bordalês” Quinary além do Biography que é um estupendo Shiraz.

● Glen Carlou - Propriedade do colecionador de arte suíço, Donald Hess, Glen Carlou é uma dos nomes certeiros na produção de vinhos sul-africanos dentro do vale de Paarl. Uma região de clima temperado, com verões secos, invernos frios e úmidos, que combinados a variadas condições de solo e exposição criam um mesoclima único para o cultivo de variedades nobres.
Desde 2003 quando foi adquirida pelo grupo Hess Family Estates novos projetos começaram a ser desenvolvidos na parte de viticultura com seleção de porta-enxertos, novos clones e redução de rendimentos no intuito da máxima expressão do terroir. Na cantina a equipe do enólogo Arco Laarman, largamente experimentada em outras regiões vinícolas, está focada e atenta a elaborar vinhos que aliam a pureza e intensidade do Novo Mundo, com a complexidade e frescor dos caldos europeus.
O cultivo nos vinhedos da Glen Carlou seguem os preceitos de sustentabilidade, garantido nos selos colocados em cada garrafa a partir da safra de 2010. Entre os vários trabalhos desenvolvidos estão o uso consciente de herbicidas e pesticidas, a preservação das reservas de água, da flora local (fynbos) e das inúmeras espécies de aves nativas. Além de garrafas mais leves e de rótulos e caixas de papelão recicláveis.

Dividos em três linhas, o estilo de produção da vinícola nas faixas mais acessíveis é de elaborar vinhos modernos, expressivos no olfato e fáceis de gostar em boca, gulosos, com taninos maduros, sem arestas. Para os amantes de origem, a Glen Carlou oferece um Chardonnay e um Cabernet Sauvignon oriundos de vinhedos específicos com solos ricos em minerais. Prove os Tortoise Hill Branco e o Tinto, pois surpreendem pela simplicidade e correção, o excelente Syrah e o Pinot também merecem ser provados.

Um comentário:

  1. The most common varietals requiring a decanter are big Bordeaux or a Shiraz. For the most part, Pinot Noir and Cabernet Sauvignon wines are fine without the decanter. Of course, decanting a Pinot Noir will develop the flavor profile fuller. So, feel free to decant any bottle of red wine you open.

    wine decanters

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