quarta-feira, 13 de junho de 2012

A CASTA CABERNET SAUVIGNON

A CASTA CABERNET SAUVIGNON

Apesar de todo prestígio mundial, o nome Cabernet Sauvignon só chegou ao cenário mundial recentemente. Começou a ser citada em fins do século XVIII com o nome de Vidure, enquanto que a Pinot Noir e Syrah já eram conhecidas desde o Império Romano.

Nesta época, as grandes propriedades começaram a consolidar seus vinhedos, aparecendo produtos mais sérios, com capacidade de envelhecimento. A Vidure foi incluída entre as cepas que reformularam os vinhedos do Barão Hector de Brane, no final do século XVIII, proprietário então do Chateau Mouton e de seu vizinho Armand d'Armailhac.

Até pouco tempo, especulava-se que a Vidure fosse descendente da romana Biturica, citada por Plínio. Em 1997, os cientistas Bowers e Meredith, da Universidade de Davis, na Califórnia, usando o rastreamento de DNA, demonstraram que a Cabernet Sauvignon é fruto do cruzamento da mais delicada Cabernet Franc com a branca Sauvignon Blanc. Este cruzamento se deu naturalmente, como nos casos de amor, nos vinhedos plantados com as duas variedades em Bordeaux, e isto explica o por que da casta vez por outra apresentar as características aromáticas de seus genitores.
Facilmente reconhecível, tem características marcantes, lembrando o cassis, muitas vezes o pimentão verde ( principalmente quando o vinho é jovem ), além de outras frutas vermelhas como amora, ameixa, cereja, podendo apresentar também toques de especiarias, as vezes café, chocolate e ainda tabaco. Em geral os vinhos são ricos em cor, corpo e tanino. Os aromas costumam ser mais perceptíveis, duradouros e intensos que os da Cabernet Franc. Os vinhos feitos com essa uva devem envelhecer durante certo tempo para demonstrar suas qualidades e terem os taninos amaciados.

A casta tem grande capacidade de manter suas características, aromas e sabores independentemente da região onde é cultivada. Isso mostrou ser um forte apelo aos novos consumidores que logo elegeram a Cabernet Sauvignon como padrão de vinho tinto.

A Cabernet Sauvignon, que é uma das castas mais resistentes e produtivas, com alta capacidade de adaptação, tendo sido transplantada para muitas outras regiões, nas quais mantém suas características principais, como na Califórnia, Chile, Austrália, Argentina, é importante na Itália e começa a aparecer na Espanha e Portugal. Tem presença também no Leste Europeu, como na Bulgária, onde a área que ocupa só é suplantada pela da França. A casta Cabernet Sauvignon é sem dúvida a mais importante nos Estados Unidos, transformou-se em símbolo dos tintos chilenos e vem ganhando terreno na Argentina. Na Austrália, onde a Shiraz é a uva principal, a Cabernet Sauvignon vem fazendo progressos nítidos, sendo a tinta dominante na Nova Zelândia, começando a impressionar nos vinhos Sul-africanos. No Brasil, gera bons vinhos, mas tudo faz crer que a casta emblemática nacional será a Merlot, com a qual geralmente é cortada.

Os vinhos criados com a Cabernet Sauvignon promoveram o que podemos chamar de primeira globalização dos tintos, quase que da mesma forma que a Chardonnay criou um conceito mundial para brancos. Deixando de lado a Grenache (Garnacha), que, em alguns lugares não chega a ser uma uva propriamente fina, a Cabernet Sauvignon é hoje a uva mais plantada, apesar de não ter a maior área de plantio no mundo.

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